segunda-feira, 7 de março de 2016
Memórias
Guardo
Nas minhas memórias a presença viva dos teus dedos macios
O calor escaldante das tuas mãos a queimarem as minhas mãos
O brilho dos teus olhos a iluminarem as ruas por onde passo
O tremor dos teus lábios a morderem a minha seca e faminta boca
A viscosidade da tua língua a lamber-me o corpo de pele eriçada
As palavras quentes e os poemas ardentes das tuas ausentes pegadas
Os beijos e os abraços viajantes dum tempo escasso e devasso
Não guardo
Nas minhas memórias aquele passeio à beira mar onde os sonhos apanhavam sol no areal e os sorrisos eram o nosso ponto cardeal.
© AC________ Alice Coelho
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domingo, 28 de fevereiro de 2016
Esgueira-se o olhar pela janela
Procuro os teus olhos perdidos
No longo espreitar de donzela
Rasgo o respirar no acontecer
Guardei o teu sorriso matreiro
Aspiro-te o cheiro o dia inteiro
Do meu rio ao teu há um separar
E nas suas margens há um atracar
De barcos de papel desencostados
Como lábios mordidos de palavras
Que na distância não sabem beijar.
© AC________ Alice Coelho
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

De repente..........
Sente-se o aperto do abraço
O calor de um beijo
O afago e a ternura
O carinho
O abismo, a ternura e o caminhar sem destino numa distância absurda que nos arranca o sentir, num rio sem leito onde as águas emergem e os olhares convergem nas margens que se estreitam e nos afluentes que nos espreitam.
De repente........
Somos céu e terra, somos rio e mar, somos tu e eu a naufragar!!
De repente......
Afogamos o sentir, descansamos o suspirar e fica difícil respirar.
AC ______ Alice Coelho
© All rights reserved
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Não sei onde estás nem onde pairas
Não sei porque quero se tu nunca és
Nem areia, nem mar, nem sol nem as
marés que sobem e descem nas praias
Não sei se me pensas ou se me queres
Espreitas, foges, levas.me sem me teres
Deixo-te beijos e abraços em mensagem
Espero o barco sem tempestades além
Numa vaga de ondas selvagens aquém
Numa berma de alto mar sem viagem
Nem acostagem.
AC _______ Alice Coelho
© All rights reserved
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
Difícil
Não está fácil pensar-te de longe
Imaginar o teu sorriso escondido
E fazer-te de enclausurado monge
Não está fácil esquecer os poemas
Virar os silêncios em cada esquina
E sentir em cada poro a adrenalina
Não está fácil esperar cada estrofe
E em cada palavra colocar apóstrofe
Difícil
É sentir o que não conseguimos decifrar
E traduzirmos pelo olhar o que é (A)mar
AC ________ Alice Coelho
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Não sentes as minhas palavras escoadas de lama
Num peito amarrotado nas águas de mar filtrado
Em fogueiras ateadas pelo meu corpo em chama
Chamo-te em meu silêncio afogueado e arrepiado
Percorro-te com meus dedos em suaves devaneios
Em resumos de desejos ardentes e toques alheios
E numa espera afogada de desespero e de aflição
Encolho-me na noite a ler os teus quentes poemas
Num consolo apalpado de um corpo em ebulição.
Não há palavras que escrevam dores e silêncios
Mas há dores que se alteram e desviam os passos
E silêncios ultrapassados em momentos escassos.
AC ________ Alice Coelho
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Dá-me lume
Acende-me o cigarro
Queima-me o corpo
Incendeia-me a alma
Ateia-me a fogueira
Alimenta-me a chama
Aquece-me em labaredas
Arde
Consome
Alimenta
E humedece as mãos
Em suores ofegantes
Perturba-me o sentir
Toca -me
Consola-me
Os teus dedos são a razão
De um abraço com emoção
Os teus olhos são o toque
De um amor cheio de paixão.
Dá-me lume
Tu fumas e eu não
Invertemos o sentido
Em bocas moucas
E palavras loucas
AC _______ Alice Coelho
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
ESCOLHAS
Fazemos as nossas escolhas
Escolhemos os nossos caminhos
Traçamos os nossos vis destinos
Seguimos as inúmeras direcções
Com pássaros de penas douradas
E sons suaves em cordas de violinos
Não pousamos no mesmo beiral
Não estendemos no mesmo varal
Damos as mãos em final de tarde
E esperamos que o sol nos ampare.
AC _______ Alice Coelho
sábado, 16 de janeiro de 2016
Gosto.te
Gosto da ternura dos dias, do que recebi e do que dei, do silêncio de te olhar e de tocar a vida com os dedos e guardar o mar no abraço no cansaço de te pensar.
Gosto do que vi passar e de ter um amanhã para alcançar, de ultrapassar o ontem e correr no hoje para os gestos das manhãs que me nascem nas mãos escorridas os grãos de areia esculpida.
Gosto de momentos apetecidos, das palavras sugadas em beijos adormecidos.
Gosto.te
AC ________ Alice Coelho
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Não sei se quero amar, se quero viver ou se quero encantar, se apanhar flores ou cantar nos beirais à espera da Primavera.
Não sei se olhe para trás, se caminhe agora ou se me transporte para o lado de lá.
Quero ser o hoje que me prende e não pensar no amanhã que se estende, quero esquecer o que foi e nunca projectar o que há-de ser, quero a intensidade dos dias e a imensidão das horas, o registo em fotografias agora e o não cumprimento das regras que nos devora.
Quero a liberdade do voo nas alturas e o céu azul com a minha assinatura.
Não sei se quero
Não sei se estou
Mas sei que vou na direcção que sou.
AC _______ Alice Coelho
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